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quinta-feira, 9 de abril de 2009

Aprenda a ler poemas - Como ler e interpretar poemas

Aula de Literatura- Explicação sobre leitura de poemas


Como ler um poema?

Já se tornou comum encontrar, nas listas de leitura obrigatória dos
grandes vestibulares, livros de poesia. E aí, diante da tarefa, surge a
pergunta obrigatória: como se lê poesia?
Para não ficarmos teorizando “no vazio”, vamos fazer nossas
observações a partir de um poema de Arnaldo Antunes:

UM DIA

1) sujar o pé de areia pra depois lavar na água
2) esperar o vaga‐lume piscar outra vez
3) ouvir a onda mais distante por trás da mais
próxima
4) não esperar nada acontecer
5) se chover, tomar chuva
6) caminhar
7) sentir o sabor do que comer
8) ser gentil com qualquer pessoa
9) barbear‐se no final da tarde
10) ao se deitar para dormir, dormir

Arnaldo Antunes. In: Boa companhia: poesia. São
Paulo: Companhia das Letras, 2003.

Precisamos, antes de mais nada, estabelecer uma diferença entre
a leitura que fazemos de modo despreocupado, para nossa fruição, e a
leitura destinada ao estudo de um texto, seja ele poético ou não.
Quando estamos diante de um texto a ser estudado, devemos
garantir que não somente compreendemos o que ele nos diz, por meio
de suas palavras, mas também reconhecer a reflexão que ele nos
propõe.

No caso do texto acima, o primeiro impacto provocado por sua
leitura deve ter sido a afirmação de que se trata de um poema.
Certamente você se surpreendeu pela apresentação dos versos
numerados, como se fossem uma lista.
Essa foi uma escolha intencional. Queríamos mesmo que você se
surpreendesse, porque essa surpresa inicial nos ajuda a introduzir a
primeira pergunta a ser respondida durante a leitura de um poema: do
que ele trata? Ou, em outras palavras, sobre o que “fala” o texto?
Releia o poema de Arnaldo Antunes. É impossível não perceber
que nele foram listadas várias “tarefas” a serem cumpridas por alguém.
Seria um pouco estranho, porém, supormos que a intenção de Arnaldo
Antunes fosse levar os leitores desse poema a interpretarem, de modo
literal, as tarefas que ali apresentadas.
Pense bem: por que alguém deveria sujar o pé na areia para,
depois, lavar na água?; ou “esperar o vagalume piscar outra vez”?,
como sugerem os dois primeiros versos?
Os poemas não são textos que oferecem, de modo direto e
objetivo, um ensinamento ou uma informação. Nesse sentido, eles não
“significam” como outros textos com os quais temos contato diário
(notícias de jornal, artigos, textos didáticos, etc.).
William Wordsworth, um importante poeta inglês que viveu e
escreveu no século XIX, costumava dizer que a boa poesia é aquela
que nasce de um transbordamento espontâneo de sentimentos
poderosos. Mas reconhecia que, embora ela deva nascer da emoção,
precisa ser escrita com serenidade. Já Robert Frost, um dos mais
celebrados poetas americanos do século XX, dizia que o poema nasce
de um nó na garganta, de um sentimento de que algo está errado, das
saudades de casa, das amarguras do amor, para, daí, ganhar forma no
pensamento, que encontra as palavras exatas para expressá-lo.

Nos dois testemunhos, encontramos uma “pista” importante para a
leitura da poesia: ela lida com emoções, sentimentos, estados de alma.
E faz isso por meio de imagens, representações simbólicas que
permitam ao leitor compreender de que está falando o poeta, sem que
ele precise recorrer a longuíssimas explicações. Isso seria, aliás, um
grande problema, já que a “matéria” da poesia é subjetiva.
Nosso papel como leitores é, em certa medida, refazer o caminho
trilhado pelo autor, no momento em que converteu em imagem
determinados sentimentos/emoções que experimentou a partir de
experiências específicas. Por isso, ler poesia significa estar disposto a
realizar um exercício contínuo de reflexão sobre imagens e metáforas
para buscar o seu significado primeiro, para descobrir o que elas
representam.

Voltemos ao poema de Arnaldo Antunes. Precisamos, em primeiro
lugar, identificar as imagens que ele nos ofereceu em seu texto. Cada
uma delas vai funcionar, para nós, como “pontos” em um mapa. Uma
vez identificados todos os pontos, podemos percorrer um caminho
mental semelhante àquele trilhado pelo poeta e, assim, compreender o
poema lido.

O conjunto de imagens criadas no texto evoca, no leitor, uma série
de pequenos gestos, coisas simples para as quais não prestamos muita
atenção, mas que sugerem momentos especiais, prazerosos... Lavar a
areia que ficou grudada nos pés, observar um vagalume, ouvir o
barulho ritmado das ondas que se quebram incessantemente, tomar
chuva, caminhar, saborear a comida, fazer a barba no fim do dia e,
finalmente, dormir.

Nenhuma dessas ações se enquadra no tipo de lista que todos nós
fazemos constantemente. Nossas listas costumam enumerar
compromissos de trabalho ou estudo, pagamento de contas, produtos
a serem comprados.
De modo geral, listamos tudo aquilo que precisamos fazer com
alguma urgência e temos medo de esquecer, caso não tenhamos
anotado em um papel. Essas listas podem ser vistas como um sinal da
vida atribulada que levamos hoje em dia.
Que sentido, então, fazem as imagens evocadas pela lista de
Arnaldo Antunes? Não podemos reconhecer, em nenhuma delas, algo
urgente, que não pode ser esquecido. Pelo contrário, aparecem ali
ações perfeitamente “insignificantes”, se adotarmos uma perspectiva
pragmática, objetiva.
Mas, como nos ensinam Frost e Wordsworth, a poesia não é
objetiva ou prática. Portanto, vamos abandonar a perspectiva
pragmática e tentar compreender o que aquele conjunto de imagens
sugeridas no poema pode simbolizar.
O título do poema, “um dia”, pode nos oferecer uma pista
importante para interpretar essa lista aparentemente sem sentido. Se
fizermos uma leitura literal, ele poderia se referir ao conjunto de tarefas
que, na visão do poeta, devemos realizar no espaço de um dia (24
horas).
Uma leitura um pouco mais interpretativa poderia associá-lo,
porém, à expressão de um desejo futuro. O artigo indefinido (um) faz
com que esse “dia” não seja uma data precisa, específica. O título do
poema pode, nesse sentido, fazer referência ao que o poeta expressa
como um desejo a ser conquistado, algo que ele espera conseguir fazer
em algum momento da vida, que ainda virá.

Quando combinamos a leitura do título às imagens evocadas
pelos versos do poema, temos uma idéia um pouco mais precisa do
que significa esse texto. Tomado como a expressão de um desejo futuro
(ou mesmo como a lista de tarefas a serem cumpridas no espaço de 24
horas), o poema de Arnaldo Antunes se contrapõe de forma evidente
aos inúmeros afazeres que ocupam o nosso dia-a-dia. É como se ele
quisesse criar no leitor um reconhecimento imediato de ações que
deveriam ser “obrigatórias” para desfrutarmos dos pequenos prazeres
de vida.
Em outras palavras: o poema pretende nos apresentar, sim, um
ensinamento. Ele nos leva a reconhecer que as tarefas cotidianas, que
nos ocupam todo o tempo disponível, nos afastam dos prazeres mais
simples da vida. Talvez seja o momento de, como o poeta, fazermos
uma “lista” diferente de afazeres. Algo que contemple a nossa
necessidade de respirar fundo, ouvir o barulho das ondas, apreciar o
paladar da comida, dormir um sono tranqüilo.
Viu? Bastou identificarmos as imagens apresentadas no texto e
reconstituirmos o “mapa mental” que elas nos sugerem para chegar à
interpretação do poema.
Então, lembre-se: um poema “trabalha” com imagens. Se ele
propõe alguma conclusão ou ensinamento, faz isso por meio das
imagens e metáforas criadas para o leitor. Portanto, na hora de ler
poesia, procure sempre identificar essas imagens e descobrir o que elas
simbolizam no texto. Quando você menos esperar, estará lendo e
interpretando poemas de modo muito mais tranqüilo. Experimente.


Fonte(s) de consulta: Editora Moderna - Maria Luiza Marques Abaurre

13 comentários:

Anônimo,  28 de maio de 2010 05:16  

aiaiai uiuiui......

gessica,  9 de julho de 2010 15:30  

ahhhhh mulequeee!

Anônimo,  4 de outubro de 2010 14:39  

é tipo internet .........rsrsrsrs

Anônimo,  5 de outubro de 2010 21:07  

nana gatinha eu li e gostei ler é ter privasidades

Anônimo,  20 de agosto de 2011 00:26  

Gostei muito!

Anônimo,  26 de setembro de 2011 10:15  

gostei muito!

Anônimo,  22 de março de 2012 17:42  

muito bom vai mim ajudar muito !!!! OBG

Ziza's N.E.M. 2 de junho de 2012 01:14  

Como diz o link, "entrou e aprendeu" =) Obrigado pela grande ajuda que deu.

Anônimo,  5 de julho de 2012 23:16  

Sempre nos aliviando.

Camila 10 de setembro de 2012 15:17  

Gostei d+ , muito obrigada me ajudou a entender direitinho o poema do exemplo, espero conseguir colocar o ensinamento em prática o/

Anônimo,  20 de novembro de 2012 22:14  

Ótimo,vai me ajudar muito na prova.
Obrigada!!!!!

Salomon 7 de janeiro de 2013 18:55  

Obrigado esse post me ajudou bastante...

Anônimo,  4 de abril de 2013 10:20  

Me ajudou muito!!
Entretanto quero ver como me saio na prática!
ausahsaushaus

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